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Georg Tholen

Catalogue „Stephan Reusse 1996“, book: „Stephan Reusse 2003 –1983“

FORMAS MOMENTÂNEAS. DA INCONSISTÊNCIA DO TEMPO

 

O lugar do corpo dissolve-se. Sua pretensa solidez e durabilidade perdem-se hoje em formas materiais e virtuais, que por vezes parecem tão fantasmagóricas como aquelas fotografias combinadas digitalmente, que não podem ou não querem mais representar directamente os objectos.

No entanto, o ceticismo de diagnósticos contemporâneos sobre a desaparição da realidade não possui somente um aspecto melancólico. A constatação de que os sinais clássicos da fidelidade fotográfica ao objeto são ilusórios abre inúmeras perspectivas para questionar o visível enquanto tal e reconfigurá-lo.

Hoje em dia, os contornos desfocados do objecto devem-se a uma arte de dissolução, que, embora não possa ser equiparada ao desenvolvimento das técnicas digitais, seria quase impossível sem sua abertura experimental.  Essa nova arte significa a perda de fronteiras rígidas: entre o exterior e o interior, o passado (vivenciado) e o futuro (simulado).  A fissura na estrutura do tempo gera um novo status de fotografias.  Não importa se elas são montadas de uma forma fotorrealista, fotopoética ou digital, ou se questionam essas diferenças de gênero – sua composição pictorial mostra que fotografias não são meras reproduções de um momento passado, e sim conflitantes pré-imagens e pós-imagens de um momento, que somente mais tarde se revela significativo.

A perda de uma imagem (de mim mesmo) normatizada e consolidada através de modelos coagulados significa uma abertura tateante e nômade ao indício daquilo que poderia ser diferente.  Nós não estamos perdidos na condição flutuante dessas linhas fugidias, mas sim ganhamos um senso para novos horizontes.  Um senso oscilante ao redor de pontos de apoio provisórios.  Esse ponto de rotação indefinível e indisponível assinala momentos de choque e de trauma.  A partir dele, inventamos histórias, contos de fadas e metáforas de transição: figuras fugazes de uma curiosidade sempre insaciada.

Georg Tholen, Kassel 1996

Tradução: Adriana Nunes-Hänel

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